
PAVIS, Patrice. As condições da análise:o estado da pesquisa. IN. ______. A análise dos espetáculos. São Paulo: Perspectiva, 2005. Parte I, cap 1, p. 3-24.
Pavis neste primeiro capítulo define análise no âmbito dos espetáculos conceituando semiologia, análise dramaturgica, tipos de análise, vetorização dentre outros termos.
O autor inicia falando de análise dramaturgica, todo comentário pós-espetáculo seja ele de um profissional ou de um espectador comum já é uma análise.
Outro termo tratado é análise, segundo o autor não é um termo condizente quando se fala de espetáculo já que análise pressupõe decomposição, a análise de partes e não do todo como é o caso das artes cênicas.
Subseqüentemente são apresentados dois tipos de análises definidos por suas funções: análise-reportagem e análise-reconstituição.
A análise-reportagem é comparada a um repórter tele esportivo que narra um jogo ao vivo, ou seja, seria a análise no momento em que o espetáculo está sendo encenado, as emoções dos espectadores no momento da encenação.
A análise-reconstituição pode ser comparada aos centros de documentação e arquivos que tem como principal foco a conservação e estocagem de materiais e manutenção de momentos históricos. É sempre feita pós-espetáculo a partir dos documentos gerados para e em função do mesmo.
O próximo termo abordado e fortemente criticada pelo autor é a semiologia, segundo Pavis a análise proposta por esta linha de pesquisa é pouco eficaz quando se trata de análise de espetáculos. A semiologia tenta traduzir em termos lingüísticos o que foi a encenação o que descaracteriza o espetáculo encenado “Nada obriga, e, aliás, nada permite, traduzir em palavras a impressão obtida pela contemplação de uma luz, de um gestual ou de uma música para que tal impressão se integre à significação global da cena.”
O autor critica ainda a idéia de signo saussuriano que é binário dando preferência ao modelo ternário de Peirce que leva em consideração a representação, o objeto e o intérprete o que possibilita uma melhor análise do conjunto.
Pavis propõe uma reflexão a respeito dos limites impostos pela semiologia a análise dos espetáculos e enfatiza para que não se tente traduzir em palavras as impressões obtidas sensorialmente.
É definido as unidades mínimas propostas pela semiologia clássica, as categorias dos signos para em seguida propor-se uma dessemiótica que trataria a análise dos espetáculos não em partes, como propõe a semiótica e seus signos, mas uma apreensão global utilizando-se a vetorização (análise sistemática e integrada de todas as partes). É citado ainda que materiais analisados isoladamente não significam nada, devem ser tratados como ramais e vistos em conjunto.
A questão principal é não tentar traduzir em palavras as emoções apreendidas com o espetáculo dado o fato de que quando se explica como funcionou se esgota o interesse, quando se escreve se desmaterializa o espetáculo.
O espectador deve assistir uma única vez a encenação para fazer uma análise, este fato se explica pelo caráter efêmero dos espetáculos. Cada encenação é única.
Deve-se estar atento aos materiais produzidos (fotografias, críticas, programas etc.) pois estes nada mais são do que interpretações de quem os criou, o que não auxilia em nada na análise.
A análise proposta por Pavis não se utiliza da reconstituição histórica a partir de documentos e sim da experiência do espectador e suas emoções.
O texto teatral é analisado como algo feito independente da encenação e por isso não serve de apoio à análise, deve ser visto no conjunto, no momento da representação.
Texto técnico traz várias definições de conceitos da área de artes do espetáculo e a visão do crítico mediante à própria encenação quanto aos documentos produzidos.
Não só este capítulo como o livro no todo dará subsídios teóricos da área de artes cênicas do ponto de vista do pesquisador (que é o foco da organização de qualquer acervo) além de conceituações e termos da área.
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