quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Os acervos da cidade...

Há na cidade de São Paulo alguns lugares que trabalham pela preservação da história dos espetáculos em São Paulo, por enquanto os que eu descobri são:

- Biblioteca Jenny Klabin Segall: biblioteca que fica dentro do Museu Lasar Segall e possuí em seu acervo materiais impressos como programas, cartazes, críticas entre outras coisas;
- Centro de Documentação e Memória do Teatro Alfa: espaço que fica dentro do Teatro Alfa, guarda, organiza e dá acesso à toda documentação que os espetáculos apresentados nos palcos do teatro, disponibiliza em seu site (www.teatroalfa.com.br/acervo) parte dos materiais impressos;
- Acervo Mariposa: videoteca que contém vídeos de diferentes companhias e trabalha com um programa de compartilhamento de informação onde as companhias e/ou pessoas liberam o uso de suas criações para iniciativas voltadas à educação e cultura;
- Galeria Olido: preciso saber mais a respeito;
- Centro de Documentação e Memória do Teatro TUCCA: irei visitá-lo e dentro em breve terei maiores informações...
Até a próxima,

Aline

sábado, 6 de setembro de 2008

Trabalho entregue... duas semanas de folga! Uma nova leitura, novos assuntos...

Depois de meses lendo a respeito de dança e documentação de dança entre Pavis, Almeida e Carvalho finalmente mudam-se os ares...
Acredito que no mundo e na cidade de São Paulo deva haver muitas pessoas como eu, adoradoras de livros e que por tal fascinação tenha um monte deles em casa, sendo vários ainda não lidos.
Esta semana descobri em casa um livro das comemorações dos 450 anos da cidade de São Paulo, livro de crônicas escritas por pessoas comuns como eu e você que está lendo, vendedor, jornaleiro, caixa de supermercado, secretária dentre outros... Descobertas FANTÁSTICAS neste livro!!!
Incrível como temos talentos escondidos na nossa imensa metrópole (ou será megalópole????) bom há um pouco de tudo, a Av. Paulista, Rua Augusta e seu lado rico no Jardins e seu lado pobre no Anhangabaú, o metrô lotado, o ônibus cheio, a São Paulo das ruas sem asfalto e do rio Tietê navegável (sim era possível andar de barquinhos naquele rio fedido da marginal) e mais um monte de coisa lega...
Na próxima postagem selecionarei os trechos que mais gostei para que algum visitante tome contato com as coisas bacanas que venho lendo.
Para quem quiser dar uma olhadinha segue os dados do livro:

Crônicas: São Paulo 450 anos. Editora Biblioteca Mário de Andrade, 2004

Uma pitadinha:

" Perdi-me nas Perdizes, embarquei no Aeroporto e plantei flores nos Jardins do Campo Belo. Da Vila Olímpia, avistei uma Bela Vista de uma Lapa aconchegante, uma enorme Casa Verde e uma verdejante colina de Pinheiros e ipês amarelos. Um Campo Limpo, higienizado, praticamente uma Higienópolis inflou nos meu pulmões um quê de Saúde..."

Escrito em 06/09 mas devido a minha falta de conhecimento de blogs só consegui postar agora!!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Documentando as artes

Entender as artes de um modo geral não é lá uma das coisas mais fáceis...
Pensar em biblioteconomia e artes então é algo bem difícil!
A biblioteconomia é basicamente regida pelas classificações, pra quem não conhece a CDD, CDU, nós bibliotecários temos por hábito dividir tudo que der por assunto (tema) e responsável intelectual (autor, diretor, organizador....) tal tarefa na área das artes torna-se um pouco árdua sobretudo nas artes cênicas (que é o que eu estou estudando) levando em consideração que uma manifestação artística desta natureza pode ser tudo e nada ao mesmo tempo....
Quem nunca assistiu uma peça de teatro que tinha coreografias no meio? Quem nunca foi ao teatro para ver dança e deparou-se com interpretações e falas dos bailarinos?
Tem também a literatura que inspira tais manifestações, as artes plásticas que configuram cenários, figurinos e etc...
Aí que LOUCURA!!!! Como é que eu posso "classificar" determinada coisa de dança se tem teatro no meio??????
Neste momento da minha pesquisa (que está bastante evoluída graças a Deus, à Maria Christina minha orientadora, as minhas tardes no Centro Cultural e ao meu namorado que sempre está à disposição para me dar aquela força) estou refletindo a respeito disso e também do que realmente é documentação desta área, para quê serve e pra quem!!!
Sobreviverei as quedas de ânimo para continuar e à preguiça de entrar aqui e postar para ninguém (ou somente o Hugo) ler!
Até a próxima...

quinta-feira, 12 de junho de 2008

História e conceitos

Bom a dança moderna tem sua primeira coreografia em 1932 de Nijinsky que tem seu ápice ao final da apresentação com um orgasmo...
É importante ressaltar que a idéia da dança moderna tem as bailarinas Isadora Duncan e Ruth St. Denis como precursoras, o que não significa que essas bailarinas não dominassem as técnicas acadêmicas mas sim que tinham como opinião mudanças aos moldes até então apresentados a elas.
As características mais marcantes ao meu ver do estilo moderno é o fato de ser visto como dança primitiva já que volta às origens da dança (o não uso de sapatilhas de ponto, as roupas muitas vezes simples, os movimentos mais naturais...), Duncan estuda a cultura grega antiga e St. Denis as danças rituais do oriente o que solidifica o carácter primitivo da dança moderna.
Outra coisa interessante e que eu nunca havia parado para analisas é que as cias. de dança moderna (neste momento vistas como contemporânea) tem na maioria das vezes um único coreógrafo que é o fundador e diretor da companhia lembrei de uma conversa com a Laura no acervo do Teatro Alfa enquanto organizava materiais da Cia. Deborah Colker cia. de dança, achei ela muito auto suficiente, ela quem fazia a coreografia, o cenário, a luz... Lembrei-me também do Grupo Corpo e a família Pederneiras onde o Rodrigo Pederneiras é atualmente o único coreografo da cia.
Uma coisa importante relacionada a este assunto e que Faro aborda é o fato de que se o fundador morre a cia. dificilmente sobrevive mesmo contando com imagens em vídeo e cadernos de anotação de coreografia (tá aí um bom motivo para se organizar um acervo documental das produções das cias....).
A última característica marcante das melhores cias. de dança moderna apontada por Faro em seu livro Pequena História da Dança é um ideal de Diaghilev que é trabalhar em sintonia com os diferentes artistas envolvidos em um balé (coreografo, cenógrafo, musico, figurinista...).
característica também clara no Grupo Corpo, a Freusa (figurino), o Rodrigo Pederneiras (coreografia), o Paulo Pederneiras (iluminação), Fernando Velloso (cenografia) e o compositor da trilha sonora que é previamente escolhido trabalham juntos na criação, o resultado excelente é possível conferir em Breu, por exemplo, obra de trilha sonora de Lenine com criação dos profissionais citados anteriormente.
Contemporâneo é o que acontece hoje, nas praças, nos teatros, nas ruas....
Agora fico me perguntando qual a diferença entre o moderno e contemporâneo, por uma semana pensei ter descoberto a tal diferença mas acho que me enganei.
O contemporâneo hoje nada mais é que o moderno de ontem...
Ah sem esquecer de considerar a importância das danças clássicas e seus movimentos perfeitos à dança moderna. Não se pode simplesmente apagar o passado e começar uma arte do zero desconsiderando o trabalho dos nossos antecessores.
Até a próxima, acho que o primeiro capítulo tá quase pronto....

domingo, 1 de junho de 2008

Visita ao Arquivo Multimeios do Centro Cultural São Paulo: um estímulo

A visita ao Arquivo Multimeios impulsionou a pesquisadora que estava um pouco desanimada.
A Marta (chefe do Multimeios) foi extremamente atenciosa com Laura (minha companheira de pesquisa) e eu. Ficamos mais ou menos três horas conversando sobre como os materiais são selecionados e adquiridos, se o Multimeios tem independência financeira, quais os suportes que eles tem, quais o usuários que atendem....
Os pontos mais interessantes ao meu ver estão relacionados a seleção dos documentos (um grupo de pesquisadores se reúnem/ou reuniam-se mensalmente para discutir qual a linha adotada na "captura" dos documentos) e ao fato de que o Multimeios foi criado especialmente para abrigar a documentação do IDART (ver fichamento anterior).
Eles tem muitas fotos em seu arquivo, a Marta falou bastante a respeito de como é importante trabalhar com profissionais (fotógrafos, cinegrafistas...) especializados em lidar com artes cênicas pois eles tem outro olhar.
Os usuários de lá são basicamente estudantes de artes cênicas (graduação, pós e cursos profissionalizantes) e técnicos (eles não possuem muitos materiais técnicos como mapas, por exemplo mas mesmo assim recebem este tipo de usuário).
Vamos as minhas descobertas desta semana: a diferença entre dança moderna e contemporânea está ligada a improvisação e aos movimentos do corpo mas isso é assunto para a próxima postagem, preciso ler ainda três livros que falam a respeito disso.
Por favor queira deixar sua opinião, às vezes parece que eu estou escrevendo para ninguém...

quinta-feira, 22 de maio de 2008


Depois de quase duas semanas aparentemente sem escrever nada (mas jamais sem ler nada) vou escrever um texto menos formal do que os postados anteriormente... Algumas idéias a partir de textos do Pavis e algumas críticas de jornais, as movimentações na comunidade da dança veêm cada dia mais confirmando a preocupação das companhias em não somente guardar como também organizar (porque se não organizar não dá para encontrar depois) sua documentação. Principalmente porque são esses materiais que irão ajudá-los na busca por patrocinío. Parece que atualmente está na moda organizar a memória né! É bonito montar uma base de dados (por mais simples que seja) e disponibilizar "suas memórias" para a consulta das pessoas... O que ninguém vem se preocupando é no trabalho com esses acervos e seus potenciais públicos. Organizar o quê exatamente? Quais materiais são relevantes? Quais realamete tem conteúdo? Quem vai usar e para quê? A falta de um trabalho planejado e organizado com os usuários que utilizam ou poderão utilizar esses materiais é o que irá garantir a continuação e crescimento dessas iniciativas. É preciso que os profissionais (bibliotecários e outros) atentem-se a isso para que o trabalho e os investimentos despendidos levem a um futuro promissor. Acho que nas próximas semanas novidades mais fortificadas na documentação do Arquivo Multimeios do Centro Cultural São Paulo aparecerão por aqui.... Aline Barbosa

domingo, 11 de maio de 2008

O IDART

ALMEIDA, Maria Christina Barbosa de. O IDART.IN: ____________. Por uma rearquitetura dos serviços de informação em arte na cidade de São Paulo. 1998. 365 p. Tese (Doutorado em Biblioteconomia) – Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo. Cap. 1.2, p. 53-58.

O IDART

O tema geral abordado neste texto é o Departamento de Informação Artística (IDART) criado em 1975 que tinha como objetivo zelar pela guarda, organização e preservação de materiais de arte e sobre a arte em São Paulo, além de manter atualizados todos os acervos/bibliotecas da cidade têm este foco, supervisionar as atividades culturais promovidas por estes locais e por fim publicar obras a respeito das várias especialidades da coleção.

Os principais temas abordados são a respeito da pretensão da organização deste acervo em contraposição ao que era possível de ser feito.

A idéia do projeto IDART era espetacular, reunir toda documentação de arte da cidade, organizá-la e a partir disto criar reflexões por meio de publicações a respeito de toda esta documentação.

Várias linhas de pesquisa foram criadas dentro do departamento, Almeida cita artes cênicas, área que contempla a dança e sua documentação, assunto deste trabalho.

Muitas pesquisas foram iniciadas pelas grupos, a primeira publicação saiu com muito atraso, o que é justificado por Franco apud Almeida como “bloqueios e meandros da burocracia” e depois desta poucas conseguiram continuar.

Os ”sobreviventes” foram anuários (na área de museologia e ....) e catálogos que como todas as outras obras editadas eram distribuídas a entidades culturais e bibliotecas de todo o país enfatizado pela autora como devolutiva ao publico sobre as pesquisas desenvolvidas no departamento.

Na mudança de governo entre Olavo Setúbal e Reynaldo de Barros, o IDART iniciou sua perda de autonomia e verba.

Reynaldo de Barros questionou o quanto se era gasto para manutenção do departamento contra a devolutiva à população.

Como jogada política “ordenou” que os pesquisadores invadissem as periferias e tirassem de lá os materiais para continuação do acervo, atitude totalmente populista e que fugia dos objetivos primeiros. Daí em diante foram só mudanças e enfraquecimentos.

Por fim a história do IDART acaba na criação do setor Multimeios de Centro Cultural São Paulo, o acervo foi desintegrado e cada divisão de pesquisa foi para acervos de sua “especialidade”, tendo a parte de artes cênicas encaminhadas ao Centro Cultural São Paulo.

O relato do IDART é importante como ponto de partida das iniciativas voltadas aos acervos de arte em São Paulo, além de contextualização histórica, serve como parâmetro de comparação ao que pode ser ou não viável para construção de acervo desta área.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

PAVIS, Patrice. As condições da análise:o estado da pesquisa


PAVIS, Patrice. As condições da análise:o estado da pesquisa. IN. ______. A análise dos espetáculos. São Paulo: Perspectiva, 2005. Parte I, cap 1, p. 3-24.

Pavis neste primeiro capítulo define análise no âmbito dos espetáculos conceituando semiologia, análise dramaturgica, tipos de análise, vetorização dentre outros termos.

O autor inicia falando de análise dramaturgica, todo comentário pós-espetáculo seja ele de um profissional ou de um espectador comum já é uma análise.

Outro termo tratado é análise, segundo o autor não é um termo condizente quando se fala de espetáculo já que análise pressupõe decomposição, a análise de partes e não do todo como é o caso das artes cênicas.

Subseqüentemente são apresentados dois tipos de análises definidos por suas funções: análise-reportagem e análise-reconstituição.

A análise-reportagem é comparada a um repórter tele esportivo que narra um jogo ao vivo, ou seja, seria a análise no momento em que o espetáculo está sendo encenado, as emoções dos espectadores no momento da encenação.

A análise-reconstituição pode ser comparada aos centros de documentação e arquivos que tem como principal foco a conservação e estocagem de materiais e manutenção de momentos históricos. É sempre feita pós-espetáculo a partir dos documentos gerados para e em função do mesmo.

O próximo termo abordado e fortemente criticada pelo autor é a semiologia, segundo Pavis a análise proposta por esta linha de pesquisa é pouco eficaz quando se trata de análise de espetáculos. A semiologia tenta traduzir em termos lingüísticos o que foi a encenação o que descaracteriza o espetáculo encenado “Nada obriga, e, aliás, nada permite, traduzir em palavras a impressão obtida pela contemplação de uma luz, de um gestual ou de uma música para que tal impressão se integre à significação global da cena.”

O autor critica ainda a idéia de signo saussuriano que é binário dando preferência ao modelo ternário de Peirce que leva em consideração a representação, o objeto e o intérprete o que possibilita uma melhor análise do conjunto.

Pavis propõe uma reflexão a respeito dos limites impostos pela semiologia a análise dos espetáculos e enfatiza para que não se tente traduzir em palavras as impressões obtidas sensorialmente.

É definido as unidades mínimas propostas pela semiologia clássica, as categorias dos signos para em seguida propor-se uma dessemiótica que trataria a análise dos espetáculos não em partes, como propõe a semiótica e seus signos, mas uma apreensão global utilizando-se a vetorização (análise sistemática e integrada de todas as partes). É citado ainda que materiais analisados isoladamente não significam nada, devem ser tratados como ramais e vistos em conjunto.

A questão principal é não tentar traduzir em palavras as emoções apreendidas com o espetáculo dado o fato de que quando se explica como funcionou se esgota o interesse, quando se escreve se desmaterializa o espetáculo.

O espectador deve assistir uma única vez a encenação para fazer uma análise, este fato se explica pelo caráter efêmero dos espetáculos. Cada encenação é única.

Deve-se estar atento aos materiais produzidos (fotografias, críticas, programas etc.) pois estes nada mais são do que interpretações de quem os criou, o que não auxilia em nada na análise.

A análise proposta por Pavis não se utiliza da reconstituição histórica a partir de documentos e sim da experiência do espectador e suas emoções.

O texto teatral é analisado como algo feito independente da encenação e por isso não serve de apoio à análise, deve ser visto no conjunto, no momento da representação.

Texto técnico traz várias definições de conceitos da área de artes do espetáculo e a visão do crítico mediante à própria encenação quanto aos documentos produzidos.

Não só este capítulo como o livro no todo dará subsídios teóricos da área de artes cênicas do ponto de vista do pesquisador (que é o foco da organização de qualquer acervo) além de conceituações e termos da área.

domingo, 20 de abril de 2008

Algumas reflexões sobre Por uma rearquitetura dos serviços de informação em arte na cidade de São Paulo de Maria Christina Barbosa de Almeida


Algumas reflexões sobre Por uma rearquitetura dos serviços de informação em arte na cidade de São Paulo de Maria Christina Barbosa de Almeida, tese de doutorado da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo

Lendo o capítulo 3 intitulado de Bibliotecas, Centros de Documentação, Arquivos e Projetos de Informação em Museus de Arte da tese referenciada acima algumas idéias me pegaram de surpresa, como a estreita relação da história dos museus e das bibliotecas.
Almeida escreve que nem sempre foi possível diferenciar bibliotecas de museus e que os objetos e as obras eram todas guardadas no mesmo lugar. As bibliotecas davam subsídios com suas obras bibliográficas aos objetos dos museus.
"Coletar e organizar livros estava diretamente relacionado a organizar curiosidades, obras de arte e espécimes das ciências naturais".
Os próximos assuntos tratados estão relacionados aos registros e a catalogação dos materiais (sejam eles objetos ou livros). A autora cita o fato de que quando se trata de uma obra impressa todas as informações são retiradas da folha de rosto diferentemente das obras de arte que não trazem em si mesmas muitas informações.

FORD citado por ALMEIDA diz que as bibliotecas e os museus têm muito o quê aprender um com o outro, as bibliotecas ensinando suas técnicas de administração de coleções, sistemas de informação, redes cooperativas e padrões e os museus a preservação dos objetos, as técnicas de exposição e o tratamento temático.

O texto se aplica a pesquisa desenvolvida em suas reflexões a respeito do tratamento dado aos objetos e aos livros. A idéia de que os livros e as obras artísticas estão intimamente ligadas acontece também na documentação de dança que é a área da pesquisa pretendida, o olhar do coreógrafo e dos bailarinos ligado ao do bibliotecário dará subsídios para a organização dos documentos de maneira a extrair todas as informações importantes à recuperação das obras (coreografias, espetáculos) e incentivar as novas criações.

NOTA: Texto referente somente à primeira parte do capítulo 3, 3.1 Bibliotecas e museus

Patrimônio do efemêro


Patrimônio do Efemêro de Carvalho & Almeida tem como principal foco a documentação de artes cênicas que deve ser reunida e organizada como preservação histórico cultural partindo da efemeridade das encenações, ou seja, a irreconstituição do espetáculo cênico através da reunião da documentação produzida para e pelo espetáculo.

Os principais conceitos abordados estão relacionados à representatividade cultural das artes cênicas para a sociedade. A partir desta idéia surgem alguns questionamentos sobre as políticas e critérios que orientam a construção desses acervos que deve ser transparente ao público que o utiliza principalmente quando se trata de acervos de acesso público e/ou mantidos por incentivos públicos.

Segundo os autores deve-se criar políticas de difusão e criação de novos conhecimentos a partir da documentação que compõem essas coleções além de “políticas de acesso” para que utilização e preservação não entrem em conflito.

Os documentos gerados a partir de expressões artísticas devem ser vistos sempre como percepções e discursos vinculados a uma determinada visão e conseqüentemente analisados como documentos a respeito da obra e não meras descrições, é um dos pontos enfatizados por Carvalho & Almeida. Os autores reforçam a idéia de que os documentos não irão reconstituir a expressão artística mas simplesmente apresentar aproximações da encenação passada.

O texto também aborda o fato de que é a partir da reunião dos diversificados documentos que se torna possível uma análise e uma maior aproximação da encenação, os documentos não devem ser tratados isoladamente.

Cita ainda algumas iniciativas européias de bibliotecas, museus e centros de documentação com diversos enfoques da área: biblioteca de cenografia, biblioteca de dança, acervo de marionetes dentre outros.

Este artigo dá suporte à reflexão sobre efemeridade dos espetáculos, enfatizando que a criação dos acervos e análise dos documentos devem ser feitas com a intenção de captura de meros vestígios que darão suporte a novas criações.

Trata-se de um texto bastante introdutório que também chama a atenção para as políticas de crescimento, difusão e preservação dos acervos com especialidade em artes do espetáculo.

Referência:

CARVALHO, M. D.; ALMEIDA, M.C.B. Patrimônio do efêmero : algumas reflexões para a construção de um patrimônio das artes cênicas no Brasil. Revista Em Questão, Porto Alegre, v.11, n.1, p.167-188, jan./jun. 2005. Disponível em:

<http://www6.ufrgs.br/emquestao/pdf_2005_v11_n1/10_patrimoniodoefemero.pdf>. Acesso em: 12 abr. 2007