quinta-feira, 22 de maio de 2008


Depois de quase duas semanas aparentemente sem escrever nada (mas jamais sem ler nada) vou escrever um texto menos formal do que os postados anteriormente... Algumas idéias a partir de textos do Pavis e algumas críticas de jornais, as movimentações na comunidade da dança veêm cada dia mais confirmando a preocupação das companhias em não somente guardar como também organizar (porque se não organizar não dá para encontrar depois) sua documentação. Principalmente porque são esses materiais que irão ajudá-los na busca por patrocinío. Parece que atualmente está na moda organizar a memória né! É bonito montar uma base de dados (por mais simples que seja) e disponibilizar "suas memórias" para a consulta das pessoas... O que ninguém vem se preocupando é no trabalho com esses acervos e seus potenciais públicos. Organizar o quê exatamente? Quais materiais são relevantes? Quais realamete tem conteúdo? Quem vai usar e para quê? A falta de um trabalho planejado e organizado com os usuários que utilizam ou poderão utilizar esses materiais é o que irá garantir a continuação e crescimento dessas iniciativas. É preciso que os profissionais (bibliotecários e outros) atentem-se a isso para que o trabalho e os investimentos despendidos levem a um futuro promissor. Acho que nas próximas semanas novidades mais fortificadas na documentação do Arquivo Multimeios do Centro Cultural São Paulo aparecerão por aqui.... Aline Barbosa

domingo, 11 de maio de 2008

O IDART

ALMEIDA, Maria Christina Barbosa de. O IDART.IN: ____________. Por uma rearquitetura dos serviços de informação em arte na cidade de São Paulo. 1998. 365 p. Tese (Doutorado em Biblioteconomia) – Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo. Cap. 1.2, p. 53-58.

O IDART

O tema geral abordado neste texto é o Departamento de Informação Artística (IDART) criado em 1975 que tinha como objetivo zelar pela guarda, organização e preservação de materiais de arte e sobre a arte em São Paulo, além de manter atualizados todos os acervos/bibliotecas da cidade têm este foco, supervisionar as atividades culturais promovidas por estes locais e por fim publicar obras a respeito das várias especialidades da coleção.

Os principais temas abordados são a respeito da pretensão da organização deste acervo em contraposição ao que era possível de ser feito.

A idéia do projeto IDART era espetacular, reunir toda documentação de arte da cidade, organizá-la e a partir disto criar reflexões por meio de publicações a respeito de toda esta documentação.

Várias linhas de pesquisa foram criadas dentro do departamento, Almeida cita artes cênicas, área que contempla a dança e sua documentação, assunto deste trabalho.

Muitas pesquisas foram iniciadas pelas grupos, a primeira publicação saiu com muito atraso, o que é justificado por Franco apud Almeida como “bloqueios e meandros da burocracia” e depois desta poucas conseguiram continuar.

Os ”sobreviventes” foram anuários (na área de museologia e ....) e catálogos que como todas as outras obras editadas eram distribuídas a entidades culturais e bibliotecas de todo o país enfatizado pela autora como devolutiva ao publico sobre as pesquisas desenvolvidas no departamento.

Na mudança de governo entre Olavo Setúbal e Reynaldo de Barros, o IDART iniciou sua perda de autonomia e verba.

Reynaldo de Barros questionou o quanto se era gasto para manutenção do departamento contra a devolutiva à população.

Como jogada política “ordenou” que os pesquisadores invadissem as periferias e tirassem de lá os materiais para continuação do acervo, atitude totalmente populista e que fugia dos objetivos primeiros. Daí em diante foram só mudanças e enfraquecimentos.

Por fim a história do IDART acaba na criação do setor Multimeios de Centro Cultural São Paulo, o acervo foi desintegrado e cada divisão de pesquisa foi para acervos de sua “especialidade”, tendo a parte de artes cênicas encaminhadas ao Centro Cultural São Paulo.

O relato do IDART é importante como ponto de partida das iniciativas voltadas aos acervos de arte em São Paulo, além de contextualização histórica, serve como parâmetro de comparação ao que pode ser ou não viável para construção de acervo desta área.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

PAVIS, Patrice. As condições da análise:o estado da pesquisa


PAVIS, Patrice. As condições da análise:o estado da pesquisa. IN. ______. A análise dos espetáculos. São Paulo: Perspectiva, 2005. Parte I, cap 1, p. 3-24.

Pavis neste primeiro capítulo define análise no âmbito dos espetáculos conceituando semiologia, análise dramaturgica, tipos de análise, vetorização dentre outros termos.

O autor inicia falando de análise dramaturgica, todo comentário pós-espetáculo seja ele de um profissional ou de um espectador comum já é uma análise.

Outro termo tratado é análise, segundo o autor não é um termo condizente quando se fala de espetáculo já que análise pressupõe decomposição, a análise de partes e não do todo como é o caso das artes cênicas.

Subseqüentemente são apresentados dois tipos de análises definidos por suas funções: análise-reportagem e análise-reconstituição.

A análise-reportagem é comparada a um repórter tele esportivo que narra um jogo ao vivo, ou seja, seria a análise no momento em que o espetáculo está sendo encenado, as emoções dos espectadores no momento da encenação.

A análise-reconstituição pode ser comparada aos centros de documentação e arquivos que tem como principal foco a conservação e estocagem de materiais e manutenção de momentos históricos. É sempre feita pós-espetáculo a partir dos documentos gerados para e em função do mesmo.

O próximo termo abordado e fortemente criticada pelo autor é a semiologia, segundo Pavis a análise proposta por esta linha de pesquisa é pouco eficaz quando se trata de análise de espetáculos. A semiologia tenta traduzir em termos lingüísticos o que foi a encenação o que descaracteriza o espetáculo encenado “Nada obriga, e, aliás, nada permite, traduzir em palavras a impressão obtida pela contemplação de uma luz, de um gestual ou de uma música para que tal impressão se integre à significação global da cena.”

O autor critica ainda a idéia de signo saussuriano que é binário dando preferência ao modelo ternário de Peirce que leva em consideração a representação, o objeto e o intérprete o que possibilita uma melhor análise do conjunto.

Pavis propõe uma reflexão a respeito dos limites impostos pela semiologia a análise dos espetáculos e enfatiza para que não se tente traduzir em palavras as impressões obtidas sensorialmente.

É definido as unidades mínimas propostas pela semiologia clássica, as categorias dos signos para em seguida propor-se uma dessemiótica que trataria a análise dos espetáculos não em partes, como propõe a semiótica e seus signos, mas uma apreensão global utilizando-se a vetorização (análise sistemática e integrada de todas as partes). É citado ainda que materiais analisados isoladamente não significam nada, devem ser tratados como ramais e vistos em conjunto.

A questão principal é não tentar traduzir em palavras as emoções apreendidas com o espetáculo dado o fato de que quando se explica como funcionou se esgota o interesse, quando se escreve se desmaterializa o espetáculo.

O espectador deve assistir uma única vez a encenação para fazer uma análise, este fato se explica pelo caráter efêmero dos espetáculos. Cada encenação é única.

Deve-se estar atento aos materiais produzidos (fotografias, críticas, programas etc.) pois estes nada mais são do que interpretações de quem os criou, o que não auxilia em nada na análise.

A análise proposta por Pavis não se utiliza da reconstituição histórica a partir de documentos e sim da experiência do espectador e suas emoções.

O texto teatral é analisado como algo feito independente da encenação e por isso não serve de apoio à análise, deve ser visto no conjunto, no momento da representação.

Texto técnico traz várias definições de conceitos da área de artes do espetáculo e a visão do crítico mediante à própria encenação quanto aos documentos produzidos.

Não só este capítulo como o livro no todo dará subsídios teóricos da área de artes cênicas do ponto de vista do pesquisador (que é o foco da organização de qualquer acervo) além de conceituações e termos da área.